quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Memórias revisitadas

No dia 30 de Janeiro, e decorridos bastantes anos sobre a nossa última visita, fomos à Sapataria almoçar com a Mª Helena e família (o Valentim (marido e a Ana (filha).

Mas antes de irmos almoçar fui (com o Zé, claro) revisitar alguns dos lugares ligados às minhas memórias de infância e juventude.

Estacionámos o carro no Largo da Sapataria, onde se situa a última casa que o meu pai alugou e que nós (irmãos) mantivemos até alguns anos depois da sua morte. Esta casa faz parte de um conjunto de edifícios que foram uma casa senhorial (tem brasão sobre o portão de entrada).

Actualmente está desabitada e tem um ar abandonado,


diferente da casa bonita e agradável que era (por dentro e por fora) quando a tínhamos alugada, e onde a Clara e a Ana ainda brincaram


Fomos depois ao Lugar dos Galegos. O antigo caminho é agora uma movimentada estrada que, a partir da Quinta da Menina Jacinta, está toda ladeada de vivendas.

Era naquela quinta, que como referi já nas "Memórias" íamos comprar leite e fruta. Hoje está na mesma e habitada pelos filhos da então proprietária.


Já o lugar dos Galegos está irreconhecível. No Largo onde se situava a nossa casa apenas se reconhece a casa do Sr. João Novo e, ainda no caminho, também se mantêm a casa do Sr Domingos (pai do Sr. Joaquim do talho), embora com um ar mais decrépitoe a casa do Sr. António Miguel, onde também íamos comprar leite e as maçãs reinetas como relembrei anteriormente nas "Memórias.


Já não há acesso ao pinhal mas ainda fotografei o eucaliptal que ficava por detrás do quintal da nossa casa, o sítio da eira e as silvas (que lá continuam) no meio das quais a Linda caíu, como também recordei nas "Memórias"




O que encontrei igual (embora com um grande ar de abandono) foi o poço e a bomba com que se tirava a água. Na foto vê-se veja parte de um tractor, quando então só havia carros de bois ou burro.


Os dois grandes tanques para lavar a roupa que então existiam foram remodelados e cobertos


Da "cazeta" (habitação da funcionária da CP), nada resta. Apenas, antes de chegar à passagem de nível, que já não existe) se mantem o poço (agora tapado) e o pequeno tanque onde eu ainda tomei algumas banhocas, antes de o meu pai ter melhorador a casa de banho na "nossa" casa, e instalado um chuveiro na mesma.


Mas a linha (do comboio-linha do Oeste)lá está. Para o lado sul, a caminho do túnel, sobre o qual se situa a Guia, continua a subir o caminho onde íamos apanhar pinhões dos os pinheiros que o ladeavam e que lá continuam. Antes destes ficava a figueira onde todos os dias (no mês de Setembro) íamos apanhar figos para o pequeno almoço.


Em sentido contrário( ou seja em direcção à Sapataria), segue a linha onde ao fundo, na curva, eu avistava o meu pai da janela do 1º andar da "nossa" casa, quando ele chegava na "automotora das 3", todos os sábados

Nesta foto avista-se a Moita, e um conjunto de habitações que, conjuntamente com "uma modernaça urbanização" que fica entre o Café do Armandino e a estrada principal, e ainda outra situada antes do Casal Novo, descaracterizam a aldeia.
Mais ao fundo ainda avistam-se uns horrorosos barracões, que ficam para além da Várzea,
paisagem bem diferente daquela que se avistava quando passavamos as férias nos Galegos, ou mesmo anos depois, como esta foto, de 1973, bem evidencia


Mas o caminho do Largo da Sapataria para Igreja (e e toda zona) continua igual

Nesta foto, ao fundo, avista-se um moinho aonde, já adulta e quando íamos para a casa do Largo da Sapataria, me recordo de ter ido fui apanhar caracois com o meu pai.

Passámos ainda pela "Casa do Vigarista", casarão (agora também muito degradado) situado na estrada, já na saída sul da Sapataria, onde se realizavam os bailes (animados pelo acordeão do João Manuel)a que eu ia com a Maria Odília e mãe e onde eu me diverti primeiro, quando era mais pequena, a ver os pares dansar e depois, já adolescente onde também dansei. Nessa altura ia com a minha amiga Isabel que, durante alguns anos da nossa adolescência ia passar uma ou duas semanas a "nossa" casa, quando estávamos nos Galegos .



Era muito engraçado de observar: os rapazes de um lado (com o chapéu a substituír o boné dos dias de trabalho no campo), e as raparigas (acompanhadas das mães) no outro. Quando começava "a moda" (era assim que se dizia), os rapazes fixavam a rapariga com quem pretendiam dansar e faziam rodopiar o anelar da mão direita. E conforme elas desviavam o olhar, ou não, eles ou procuravam outro par ou dirigiam-se à rapariga.
Quando eu era mais pequena adorava ver a Carminda (que eu achava a rapariga mais bonita do baile) a rodopiar nos baraços do seu par.

Também adorava ir aos bailes das festas de Agosto que se iam realizando nas diversas aldeias. Lembro-me concretamente de ir aos bailes da Sarreira e de um dia em que ia a subir pelo caminho que se vê na foto da linha do comboio do lado do túnel, com um vestido branco de barras vermelhas às bolinhas brancas, com um aro de arame, como então se usava!
E depois os regressos dos bailes eram muito animados. Lá vínhamos de madrugada, aos magotes (não muito numerosos, de facto), rindo e divertindo-nos. Lembro-me de um regresso da "Casa do Vigarista" às 4 da manhã, a passarmos ao lado do cemitério muito divertidos a brincar com esse facto. Um dos membros do grupo era o Armandino, de quem recordo bem o cachecol vermelho que ele trazia ao pescoço...

Em frente do "Estaminé", estabelecimento que ainda hoje se mantém com os mesmos donos, aonde eu ia jogar matraquilhos com a minha amiga Isabel, lá está o poço com roldana, onde eu sempre lavava o meu pullover amarelo que ficava cheio de óleo em resultado do entusiasmo que eu punha naqueles confrontos.


Depois do agradável almoço em casa (aliás no terraço) da Maria Helena, fomos beber o café a um restaurante construído na estrada a caminho do "Rabo do Gato", casal que fica a seguir à Várzea.

Antes, e de passagem pela Moita, a Maria Helena foi comprar queijos de ovelha à Aida, a filha mais velha do Sr Fernando "pastor", que era minha vizinha nos Galegos e minha companheira de brincadeiras. A Aida casou com o Mário, neto mais novo da Sra. Emilia, a funcionária da CP que vivia na caseta dos Galegos, e eles mantiveram o rebanho do Sr. Fernando.
Também encontrei a Maria José, irmã (mais nova) da Aida , que veio a casar com o João Manuel, o acordeonista que atrás referi, que animava os bailes da Sapataria e arredores.

Mesmo à frente do agradável restaurante a que fomos beber o café lá está (muito bem conservado) o "poço do casal" aonde, para além da "mina", íamos buscar água para beber, quando passávamos as férias na Várzea.


Ao fundo avista-se o casal da Várzea, onde podemos ver (ao centro do aglomerado das casas visíveis, e que são todas as do Casal) a casa em que passámos as férias (remodelada pelo actual proprietário).
Ainda mais ao fundo, à direita, vê-se o moínho da Várzea, hoje em ruínas, como se pode constatar, como aliás a maioria dos moínhos da zona (que moíam os grãos de trigo e milho), hoje substituídos pelas torres eólicas (geradores de electricidade).´

Fomos adoptados por um gato!

No último fim de semana passado nas Águas, fomos adoptados por um gatinho. Felizmente que foi apenas na véspera de regressarmos porque ele era muito carente! Quando no sábado fui preparar o barbecue para grelhar a carne para o almoço, estava um gatito empoleirado no rebordo superior daquele a , não digo miar, mas a "protestar. Chamei-oi , peguei-lhe, e , encontrando-o muito magro fui-lhe arranjar umas sopas de pão para lhe dar. Entretanto a Chita, a nova cadelinha do nosso vizinho Manuel , começou a brincar com ele, mas este, mostrando-se um verdadeiro felino, assanhava-se e voltava-se contra ela.

Mas a partir daí, e contrariamente a este comportamento agressivo, ele nunca mais nos largou, ou quando esatavamos em tarefas no campo

ou quando eu estava no alpendre


De uma das vezes em que eu estava sentada no alpendre ele protestou e protestou até saltar para o meu colo, onde se aninhou muito calado e sossegadinho.
Quando estávamos em casa, então era o descalabro. Mal se abria uma fresta da porta ele entrava de imediato e ia sentar-se ao pé da lareira.

Este gato nasceu por ali, no campo. Nunca esteve numa casa nem teve contacto com humanos, a não ser eventualmente com o Sr. Manuel ou a mulher. Penso que estes não tratam dele nem de mais outros dois gatitos seus irmão que também andam pela propriedade deles, porque, conforme disseram, são filhos de uma gata qualquer que os teve por ali.E, no entanto, este animamalzinho, sentiu necessidade não só de ter uma casa e quem o cuidasse, mas também companhia humana e contacto fisico.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Museu de Évora

Quando fomos ver a exposição "Primitivos Portugueses" no MNAA foi-nos referido que o esta tinha uma extensão no Museu de Évora, onde estava exposto o 7º módulo.

Decidimos que aproveitariamos este pretexto para mais um passeio ao Alentejo, com início na visita àquele museu.

E, assim, logo concretizámos o passeio no domingo seguinte.E valeu a pena!
O edificio, antigo palácio episcopal, situa-se entre a Catedral


e o Templo de Diana


Sondagens arqueológicas mostraram que sob os seus alicerces se situa parte do pavimento do forum romano, algumas habitações do período islâmico e uma zona de sepulturas medievais



Parte importante do espólio do Museu é por escultura arquirectónica e tumulária dos séculos XIX a XVI proveniente de conventos e edifícios demolidos na cidade durante os séculos XIX e XX:



Um núcleo importante é o arquelógico, com um significativo espólio de escultura romana


Outro núcleo interessante que vimos foi o de elementode arquitectura, epigrafia e escultura dos séculos I-XVI




Dos núcleos que visitámos, não há dúvida que o mais importante é o de Pintura dos séculos XV-XVIII

Aqui vimos, entre muitas outras obras do séc. XV, quadros de Francisco Henriques


Frei Carlos


Grão Vasco


Álvaro Pires


Mas as consideradas mais importantes são
os retábulos flamengos do Altar-mor da Sé



e o tríptico de Gregório Lopes, cujo retábulo do Calvário está retratado na foto seguinte,

conjuntamente com um quadro de um pintor contemporâneo (Rui Macedo), de Évora, que tem uma série de obras de 2010 expostas neste Núcleo, associados ou não, aos outros quadros (dos séculos XV-XVIII).

Também nos retábulos do Altar-Mor da Sé (de onde foi retirado um para exposição no MNAA)estão integrados quadros deste pintor, tal como no conjunto mortas dos pintores do séc. XVII de Josefa de Óbidos (à direita) e Baltazar Gomes de Figueiredo (à esquerda),

em que no conjunto de 6 quadros os dois de baixo são de Rui Macedo.

De muitas das pinturas expostas daquele pintor seleccionei mais este quadro em que ele retrata com "realismo" as salas de exposição deste Núcleo.


Passámos então ao Núcleo da exposição dos "Primitivos Portugueses", que como atrás está evidenciado estão fortemente represetados no Núcleo de Pintura do Museu, e assim vimos, principalmente, quadros dos pintores do século XV atrás referidos.

As fotos seguintes, de quadros de Frei Carlos, têm a particularidade de mostrarem as reflectografias de infravermelhos, feitas aos quadros que integram a exposição dos Primitivos Portugueses.
Esta técnica, utilizada para apoiar a restauração dos quadros, mostra o desenho de preparação dos quadros previamente feita pelos pintores antes de pintarem os quadros.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Partilha e amor - Episódios familiares

A propósito da conversa (via mail) que tive com a Ana sobre a partilha das calças de Ski entre ela e o Pedro, lembrei-me de um outro episódio de partilha contado por minha mãe. O meu tio Alexandre(irmão mais velho de minha mãe), partilhou em dada altura um par de botas com um seu colega de Faculdade;um dia era um que calçava as botas e ia às aulas, no outro dia era o outro.

Força de vontade face às dificuldades (hoje dificeis de imaginar....)e também verdadeiro espírito de solidariedade!

E depois de tanto esforço viu a sua vida de professor liceal interrompida por ser oposiocionista ao regime ditatorial de então, tendo sido expulso do ensino oficial e sofrido, ainda, o encerramento do Colégio que, entretanto e como alternativa, fundara. Só depois de ter estado a leccionar vários anos em Angola,veio a ser readmitido no ensino oficial em Portugal!

E por associação de ideias lembrei-me de outro episódio (este de algum modo caricato), contado por minha mãe, desta vez a propósito de outro familiar, o meu bisavô materno, que ilustra outras facetas de personalidade de familiares meus. Desta vez a generosidade associada a um certo desiquilíbrio mental daquele meu ascendente.

Um dia chegou a casa descalço. A minha bisavó, perplexa, questionou-o: "Oh homem, vens descalço! O que aconteceu? Resposta: "Então, encontrei um pobre sem botas, dei-lhe as que trazia, pois tenho mais..."

Por episódios familiares, lembrei-me de outro, que também teve como intervenientes aquelas mesmos meus bisavós.

A minha bisavó tinha 18 anos quando começou a namorar o meu bisavô, viúvo, com cerca de várias filha, quatro ou cinco, salvo erro, e fama de gastador (o que se veio a confirmar, pois logo no regresso da lua de mel em Espanha, a minha avó já não trazia as jóias que levara para a viagem).

Naquela situação, os pais opunham-se ao namoro que ela continuava às escondidas. E o episódio que a minha mãe contava é que a minha bisavó, para não ser descoberta (seria por qualquer outra razão?), engolia os bocadinhos em que cortava as cartas do namorado, que o seu irmão,conivente,lhe trazia às escondidas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A Escola Oficina nº 1

Quando eu era pequena via a "minha escola" da minha irmã mais velha, Maria Cecília, como uma entidade mítica que, quando por ela mencionada, designadamente quando a família se reunia nos aniversários dos meus sobrinhos, levava que marido e filhos (comandados por aquele) se levantassem.
Era motivo de ternurenta brincadeira a saudade que a minha irmã tinha da sua Escola, onde fora tão feliz, e que para ela tinha sido a escola perfeita. E tal como nessa altura,ainda, hoje já quase sem memória nem do presente nem do passado, continua a recordar-se perfeitamente, e com enorme saudade da " minha escola".

Situada no Largo da Graça, um bocado afastada da residência dos meus pais, a frequência daquela escola por parte dos meus irmãos resultou da procura que a minha mãe fez, perante as sucessivas recusas da minha irmã em frequentar duas ou três que visitaram antes e que, por um motivo ou por outro, rejeitara.
Mais tarde, o nosso irmão que tinha, entretanto entrado para a escola do Centro Republicano Botto Machado, Centro de que o meu pai foi sócio durante muitos anos( penso que até falecer), veio também a frequentar a Escola Oficina, da qual, conforme a minha cunhada me refere, também recordava com saudade.

Aquela escola, criada nos primeiros anos da 1ª República pela Maçonaria, permaneceu até à altura em que os meus irmãos mais velhos a frequentaram, já nos anos 30 do século passado, uma escola libertária, em que as crianças gozavam de grande liberdade (durante as aulas não precisavam de pedir autorização para sair da sala, conforme a minha irmã sempre salienta como exemplo). Ela faz também constante referência ao facto de as raparigas trabalhare em madeira tal como os rapazes, e estes fazerem trabalhos em ráfia, por exemplo. Sempre deu grande enfase à associação de alunos (A Solidária), de que a minha irmã foi tesoureira e não sei se algum ano presidente da direcção. Penso que a minha irmã me referiu que eram as próprias crianças que faziam a sopa que depois era também por elas distribuida gratuitamente aos alunos pobres.
Também é por ela realçado as condições pedagógicas de que a Escola estava dotada, designadamente os laboratórios, referindo sempre o ensino da biologia apoiado no necessário material, designadamente animais embalsamados um esqueleto humano, pormenor que para ela terá sido muito relevante, pois é sempre este aspecto que ela salienta.

Na visita recente que fiz à Cordoaria Nacional para ver a exposição "República", encontrei uma referência alargada a esta experiêncis pedagógica, que não pude deixar de fotografar para mostrar à minha irmã, e que aqui reproduzo.
Embora estas fotos se reportem a 1918, não custa pensar que as condições não se deverão ter alterado até à altura em que os meus irmãos frequentaram aquela escola.





quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Inverno no Outono

O campo no Outono reveste-se de uma beleza serena que me deleita.E na Ribeirinha esta beleza parece intensificar-se...


E esta beleza e serenidade está bem presente quando olhamos através da janela de casa.


ou, do alpendre, avistamos as cabras deitadas no terreno de pastagem, do outro lado da Ribeirinha



com o Joli e a Chita (cães do nosso vizinho do lado), sempre a acompanhar-nos


Mas na nossa estadia na Ribeirinha no final de Novembro/princípio de Dezembro, à beleza do Outono juntou-se a beleza que a neve traz ao Inverno, que ainda não era...


Pela primeira vez avistei, da Ribeirinha, a Serra da Gardunha coberta de neve.


e nunca vi tanta neve na Serra da Estrela...


E no passeio que demos à Serra da Malcata tivemos a grande surpresa de encontrar neve, que não nos permitiu subir muito, mas que não deixou de nos encantar com a beleza de alguns aspecto.


designadamente os medronheiros cobertos de frutos e neve.


E nestes dias esteve tanto frio que até a água da piscina gelou.


mas em casa havia o aconchego da lareira...


e que agradável é beber o cafezinho no alpendre, num dia frio mas soalheiro...