sábado, 30 de janeiro de 2010

Memórias 1


No tanque do poço, a caminho do moinho da Várzea



Peças em fuga? Não. Memórias muito presentes das férias (grandes) da minha infância. Recordações felizes ligadas ao campo, não obstante eu ter nascido em Lisboa e aí viver. Mas logo que acabavam as aulas, primeiro da minha irmã Linda, 7 anos mais velha, e depois de nós as duas, partíamos, com a nossa mãe, para férias no Casal da Várzea –Sapataria, lugar e freguesia que fica na zona saloia, entre a Malveira e Sobral de Monte Agraço.



O pai não tinha férias, trabalhava por conta própria, e apenas ia passar os fins-de-semana connosco, mas desse período não guardo quaisquer memórias dele. O mesmo não acontece quando, nos meus nove anos, mudámos o local de férias para outro Lugar na mesma freguesia, os Galegos, perto da linha do comboio, e onde, havia uma passagem de nível. E dessa altura recordo aguardar à janela do 1º andar da casa (que o meu pai entretanto alugara), a passagem da automotora às 15 horas de sábado e, com alegria, avistá-lo quando, passada a curva que antecedia a estação, vinha, com a sua pasta, caminhando ao longo da linha do comboio.

-Já depois de publicar estas Memória 1 e quando estava a escrever sobre os Galegos, ocorreu-me uma recordação do meu paqi na Várzea. Eram as nossas "caçadas" aos caracois.Iamos os três (eu a Linda e pai) percorrer os montes da Várzea a apanhar caracois grandes,que procuravamos debaixo das pedras que se amontoavam no meio das terras. Apanhavamo-los para sacos de pano que a nossa mãe nos fornecia, e era bem divertido. Mas tão bom ou melhor, era depois comê-los, feitos com um delicioso refogado que a minha mãe cozinhava, depois de os deixar em farelo, um ou dois dias, para perderem o gosto das ervas.-

Mas são principalmente as memórias da Várzea que me enchem de uma feliz nostalgia. E a Várzea para mim é o Lugar, os trabalhos estivais desenvolvidos pelas pessoas que aí viviam, e estas mesmas pessoas.-

Todos os anos (dos meus 2 aos 8 anos -1949/1955 - e até passarmos a ter casa alugada nos Galegos), os meus pais alugavam uma parte da casa “à época”, a uma das famílias do Casal da Várzea, e consequentemente tinham que levar muitas coisas necessárias à nossa estadia, dado que a casa não estava equipada com tudo o que a família precisaria para ali viver grande parte do período das férias de verão escolares, que nessa altura era de mais de 3 meses e meio.

Aquele Lugar situava-se num dos montes que ladeiam o vale onde se situa a sede da freguesia. Utilizávamos a camioneta da empresa Mafrense, que “apanhávamos” na garagem (como dizíamos), que então funcionava na Av. Almirante Reis, para onde nos deslocávamos de manhã cedo, com certeza, de táxi. Não me recordo claramente dessas deslocações, para além da chegada à “garagem”, e o imenso tempo que demorava a percorrer a distância de 30 Km que então separavam Lisboa do nosso destino. Mas lembro-me bem de uma vez, no regresso, termos perdido a única camioneta que passava à tarde para Lisboa, às 18 ou 19 horas. Então fomos apanhar outra camioneta na Póvoa da Galega, povoação que ficava no percurso e onde passavam outras “carreiras”, designadamente as que vinham da Malveira. E, então, fomos até lá de carroça puxada por burro, carregada de malas, cestos (onde a minha mãe trazia frangas que depois criava no nosso quintal e que para além de nos fornecerem os ovos eram a única criação que comíamos porque a minha mãe desconfiava das condições sanitárias em que galinhas eram mortas e vendidas na praça), e, lembro-me bem, até de colchões.
E concluo que dada a distância da Sapataria à Várzea, que correspondia a cerca de, pelo menos, 30 minutos a pé, a subir acentuadamente, e quantidade de coisas que levávamos e trazíamos cada Verão, deveria ser sempre aquele o meio utilizado para as transportar de e para a camioneta.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Podes filosofar sobre a quantidade de vezes que uma pessoa pode comecar.

tb podes comentar a exposicao que fui ver.

ou as ultimas gracinhas dos meus sobrinhos.

Começar

Bem, este já é o quarto ou quinto começo. Já não sei que filosofar sobre o tema

Férias 6-2011

Memórias 2

O Casal da Várzea era constituído pelas casas, palheiros, estábulos, etc..de 4 famílias, todas elas unidas entre si por laços familiares.

A família a quem os meus pais alugavam a parte de casa era, inicialmente, porquanto os seus membros mais idosos foram entretanto falecendo, constituída pela Sra. Bernardina, mulher cheia de força que chefiava uma família constituída pelo marido, Sr. Luís, bastante mais velho que ela e com problemas de saúde, por ter sido gazeado na guerra de 1914-1918, a filha Mª Helena (minha companheira de brincadeiras e com quem eu colaborava em pequenas tarefas, como apanhar erva para os coelhos), o filho Leonel, com um elevadíssimo grau de paralisia cerebral (a mãe que, confrontada, aquando do seu nascimento com a questão da sua sobrevivência, tinha optado, sem dúvidas, por que ele vivesse, cuidava-o extremosamente e com os cuidados possíveis no contexto da época), e ainda dois cunhados, um dos quais deficiente mental profundo, o ti Manel, que adorava a minha mãe, “ a ti Atum”, e temia a minha irmã, que lhe fazia muitas partidas, designadamente com o fogo, que o horrorizava (“ ó ti Atum, ó ti Atum, olha a meni que qué fazê mal ao Mané”, queixava-se ele à nossa mãe quando se assustava).

Foto da mª Helena e do Leonel

A casa era grande, de dois pisos. Em baixo era a cozinha, térrea, onde se desenvolvia toda a vida diária dos donos da casa: preparar as refeições, comer, fazer o pão, preparar as comidas para os animais, conversar, enfim, estar.

Desta cozinha subia uma escada para o 1º andar, o qual era constituído por várias divisões de um lado e de outro de um corredor que se estendia ao longo de toda a casa. Esse corredor estava dividido por uma porta, e era depois dessa porta que se encontrava a parte da casa alugada pelo meu pai. Uma das divisões dessa parte da casa tinha porta para um terreno que se estendia ao longo da casa, ao fundo qual era o caminho pelo qual se acedia a todas as casas do Lugar e ao caminho para a Sapataria.

Foto da família toda e minha com os cãezinhos

Da “cozinha da Sra. Bernardina” passava-se, pelo interior, quer para a casa dos animais, galinha,, perus, etc e julgo que também ovelhas quer para o palheiro, que tinha uma porta para um grande “pátio”, para onde também se acedia por uma porta da cozinha, que era aliás aquela que nós todos, incluindo os inquilinos, utilizávamos com maior frequência para entrar e sair de casa.

No pátio, e em frente à porta da cozinha, situava-se ainda a pocilga com o porco e também uma outra construção que me recordo ser também o abrigo da cadela.
Esse pátio era fechado e tinha dois portões, um dava para o terminus do caminho da Várzea.eo outro para o “eucaliptal da sra. Bernardina” e para as terras, sua propriedade, que, após um certo declive ( ao fundo do qual se encontrava, a cerca de 50 metros o poço e o tanque), se estendiam pelo monte acima.

Foto com o Fernando

O Sr. Luís era irmão do Sr. André, que morava num conjunto habitacional contíguo. Casado com a Sra. Maria, com eles viviam a sua filha, a Menina Hortense (de quem recordo a doçura e o sorriso tímido que sempre lhe conheci), o marido, o Sr. João, casal que entretanto veio a ser pais de uma menina linda, a Leonilde, cerca de 5 anos mais nova que eu.
Desta família emanava uma harmonia e uma afectuosidade entre todos os seus membros, e mais especificamente entre mãe e filha e entre esta e o seu marido “o meu senhor”, como ela dizia, que são das impressões mais marcantes que eu tenho dessa época.
Era aliás, naquela casa que eu passava a maior parte do tempo, ocupada a ver as tarefas caseiras e até a colaborar nas mesmas, quando tal me era permitido por aquelas queridas mulheres .

No Casal da Várzea vivia também um outro filho do Sr. André e da Sra. Maria, com a sua família, e ainda outro casal com o seu filho, cuja mulher, a Menina Maria prima das outras famílias, era uma personagem fantástica pela sua vivacidade, maravilhosos olhos verdes e sorriso (e riso) constante, num rosto bem talhado, com o cabelo muito escuro penteado com carrapito, como todas as mulheres dali naquela época.

Esta menina Maria, que trabalhava na casa da família rica da terra, andava sempre impecavelmente arranjada, com uns aventais branquíssimos, cujas passagens (cozer da roupa entrançado, não sei como explicar hoje, quando já nem são fabricadas linhas para este efeito), nem se notavam tal era a perfeição da sua costura. Foi esta senhora que ensinou a minha irmã Linda a passajar, que aprendeu a fazê-lo, não com a mesma perfeição (era impossível), mas muito bem.

Foto com a menina Maria cortada e com o avental branco

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Filhos

Mandaram-me esta frase no outro dia, achei linda. Mas tb assustadora.

"Ter um filho é decidir ter para sempre o coracao fora do corpo."

domingo, 15 de fevereiro de 2009

UNVEILED: NEW ART FROM THE MIDDLE EAST

Ontem fui ver a nova exposicao da Saatchi Gallery, "Unveiled, New Art from the Middle East".
Clica no link para ver mais.

Aqui estao as coisas que mais me chamaram a atencao.

Esta e a mesma galeria onde vi a exposicao de artistas chineses, aquele livro que vos dei no Natal.

Acho que e o meu museu preferido agora. O espaco e lindo, nao e gigante, ve-se numa hora e meia, e e sempre gratis!

Esta foi a que mais me surpreendeu. Feito com papel de aluminio em tamanho real.

Kader Attia - Ghosts



Ahmed Alsoudani


Ahmed Alsoudani - Baghdad II


Laleh Khorramian - Some comments on empty and full


Ali Banisadr


Ramin Haerizadeh - Men of Allah


Ahadi Shadirian - Like everyday



Wafa Hourani - Qalandia 2067